quarta-feira, 9 de julho de 2014

Onírico Mode....




 Pic me by me S.F.




Onírico Mode...


Eu ontem tive um sonho,
estava na praia e
ele me olhava do calçadão.
Bebia e me olhava mas nada falava.
Olhava fixamente dentro de mim,
me desnudava completamente.
Labaredas na retina. 
Íris vermelhas.
Aura lilás.
Eu apenas ali nas areias, no sol, 
no mar entregue e lagarteando.
Meus cabelos revoltos e longos
estavam amarrados com algas.
Um coque enrolado com algas
e uma coroa de pérolas negras.
Eu trajava  um bikini de conchas 
brancas e madrepérola.
Eu furtava a cor ao sol.
Olhava o céu e os pássaros e 
percebia que amaria voar.
Minhas asas foram cortadas?
Por quê não voava?
Eu ali na areia permanecia,
ciscava enquanto meu dono me olhava.
Eu o olhava e chorava pois amaria voar.
Ser livre e não entendia o que se passava.
Comia o que encontrava. 
Pequenos grãos de luz a me alimentar.
Livre mas sob aquele olhar.
Livre assim, num pedaço de mar vazio só pra mim.
Para nós,Para ti.
Não Paraty aonde a elite descansa 
e se finge de hippie entre Feiras
e Exposições.
Era uma praia deserta,desconhecida
mas havia calçadão.
Eu o olhava de vez em quando 
e ficava rubra com sua presença.
Ele não ria,apenas  bebia.
Tomava conta.
Eu era algo e não alguém.
Não era um homem palpável,
mas uma presença sentida.
Eu só conseguia ter acesso aos seus olhos.
Olhos de fogo.
Diabo no corpo,
diabo no copo.
Bebia meu sangue no sonho.
bebia lentamente.
E eu consentia e agradecia com a cabeça baixa.
Olhos de Dom.
Eu era um espírito a dormir. 
Eu estava ali apenas porque ele queria.
Sonhei intensamente com aquela presença.
Um intruso que penetrava dentro de meu
inconsciente por horas  enquanto eu descansava.
Momento tormento.
Nada quis ou disse.
Eu: alma vigiada.
e ele dono, apenas olhando do calçadão.
Senhor do tempo e da ampola.
Por fim entendi: estava aprisionada.
Eu morava em uma garrafa cheia de areia.
Tristeza…
não era asa cortada,
era maldade implantada.
Eu um objeto na coleção.
Bacante babaca.
Nisa de Dionísio.
Ele amigão de Morfeu 
e camarada de Hipnos.
Cheio das influências por ser filho de Zeus.
Algoz das noites  que eu tentava desligar a  mente.
Tentáculos impossível de escapar.
Verdades e mentiras se entrelaçavam como amantes de longa data..
E nós nos relacionávamos em um silêncio eterno.
Éter e absinto se misturavam. 
Me enebriavam na tal garrafa-moradia.
Meu doce carrasco das noites bem dormidas,
aonde eu me sentia presa mas ao mesmo tempo protegida.
Lá nos sonhos,eu pertencia a alguém.
Havia um lar:uma ampola cheia de mar e ar…
e eu, a ninfa escolhida e protegida por seu estranho olhar…
S.F.


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