domingo, 31 de agosto de 2014

Rolling Stones Mental (Under Construction)

pic me by me S.F.

Rolling Stones Mental (Under Construction)

Entre telas e tules ela acordava de uma morte.
Morria todos os dias e pedia para não retornar.
Ela não dormia. 
Há muito não sabia o que era dormir.
Era um cansaço tão alarmante que chegava a ser cansaço acumulado
de outras encarnações.
Era uma exaustão de tentar viver na sombra da sobrevivência.
Marchando sobre pedras e cacos de vidros.
Sangrava e se feria e sangrava sendo que sua alma era
de uma sorumbática hemofílica.
Percebia-se viva porém já na morte.
Entre tules separatistas via o encantamento das cores do mar numa manhã.
Era a única coisa que a alegrava.
Entre as telas e tules que a separavam da sujeira.
Lagartixa transparente paranóica e cheia de tocs por limpeza.
Entre telas e tules ela ressuscitava.
Se espreguiçava e se alongava.
Respirava fundo e arrastando as suas correntes.
Uma pausa, sem cigarros pois cigarros são caros.
Ela era fodida, falida e não deveria sentir prazer.
Não mais.
Um sussuro e lágrimas que se acostumaram a cair do nada.
Caiam porque ela estava ali ainda no mesmo mundo.
Viva porque, ela não sabia por quê na real.
Sentia-se um híbrido dramático de Lázaro
com Sísifo . Rolling Stones mental.
Assim eram os dias da manhã de um preguiçoso outono,
inverno,verão, primavera.
Sucessivamente eram a mesma coisa.
Sua real casa era o mar, sua força vinha do mar.
Era o que lhe importava.

A maresia e o horizonte mutável como o seu humor.
O oceano era o amante único que a fazia sorrir todos os dias

ao menos por meio segundo.
S.F.

"O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor."
Anais Nin

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