quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempos Líquidos Que Nos Matam... Mercúrio De Termômetro Quebrado

     Num sei de quem é

É o mercúrio do termômetro quebrado
escorrendo da mão.
Tempos líquidos e corrosivos.
Mundo nocivo.
É viver doente.
Eterna solidão.
Intoxicação permanente do ambiente.
Evapora e entranha.
Envenena aos poucos,
até todos ficarem  loucos.
O corpo se acostuma e estranha.
Nem cheiro nem tempero.
Sala vazia e asséptica.
Sem amor,sem flor.
Um fardo é nadar eternamente.
Feridas aparentes.
Mar negro, águas turvas.
Oceano repleto de sal.
Céu cinza  anunciando chuva.
H2O celeste.
Água radioativa
Tempos sem saciedade
Machucados e dor consciente.
Lesão e ardência plena.
Anestesia clorofórmica.
Mente para a tua mente.
Esquece a ardência,
a querência e a carência.
Muda o rumo tão sem prumo..
Toma um café,
apela para um Deus.
Esquece por um instante
as chagas que te derrubam.
Tenha fé num cântico qualquer.
Tempos estranhos,
chuva da cor do estanho.
É a química a empestear .
Continua a nadar,
esquece o sentimento,
artigo de luxo.
Fiat lux,
fósforo no meio do mato:
caro e raro.
Sentimento é tormento.
Mergulha profundamente
no mar poluição.
Continua a tua missão.
É o mercúrio do termômetro quebrado
escorrendo da mão.
Tempos líquidos e corrosivos.
Mundo nocivo.
É viver doente...
S.F.





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